Instituições asilares
Ao iniciar um programa de atividades com uma instituição de idosos, deparei-me com algumas situações que demandavam um olhar mais atento ao fim ao qual aquela instituição se propunha: O cuidado com os idosos.
Num primeiro momento percebi certa resistência por parte da instituição que não permitia ser chamada de “asilo”, era “lar”. No entanto Debert diz:
“Essa distância no significado do asilo tal como é compreendido por seus moradores e por seus profissionais, é um empecilho para as iniciativas que têm como objetivo tornar a experiência institucional bem sucedida.” (Debert, 1999 pág. 108).
Logo nas primeiras visitas, ouvi uma senhora dizer:
“Aqui as pessoas vem um tempo para fazer trabalhos, mas quando agente começa a se conhecer, elas terminaram o estudo e desaparecem, já não vem mais.”
Tendo em vista essa observação e por acreditar que as pessoas não são descartáveis, limitadas a um prazo de validade, que não temos o direito de usá-las para fins de pesquisa e posteriormente abandoná-las, como objetos que não possuem sentimentos. Assim, optei em continuar indo até lá regularmente.
“O velho asilado nada possuía de si, até a alegria que poderia viver, viria dos outros; daqueles que, imbuídos de espírito solidário, fossem repartir suas alegrias”...(SANT’ANA, 2000 pág. 55).
Deste modo, é papel das instituições asilares não só o de promover o bem estar e a melhor qualidade de vida dos seus residentes mas, também acompanhar, incentivar e fazer o melhor uso do apoio das instituições de ensino. Os trabalhos universitários devem vir ao encontro das demandas da instituição, devem contribuir para o surgimento de novas práticas no cuidado com os seus residentes. Do contrário será apenas mais um estágio desenvolvido, uma forma superficial e pobre de justificar-se à sociedade. Será que a vida dos residentes vale apenas um estágio de curso universitário?

